domingo, 20 de maio de 2012

Estou Fraco - Pastor Paulo Júnior


“Os quais pela fé (…), da fraqueza tiraram forças (…)” (Hb 11.33-34)
Tem sido muito necessário escrever, nesses últimos tempos, ao homem, pois seu estado de estresse, saturação física, mental e espiritual estão no ápice, deixando-o em constante fraqueza.
Com esse sentimento no coração quero escrever a você caro leitor. Você que está se sentindo fraco, desencorajado, desanimado, sem a menor condição de lutar.
Somos homens que vivem debaixo da lei do pecado, por isso somos vulneráveis às oscilações da vida. Tornando-nos conscientes da verdade revelada no Evangelho, nossa vida deixa – e muito – de ser conforme os padrões das pessoas comuns, nossa caminhada diária passa ser uma batalha, uma verdadeira guerra! Lutamos contra os poderes das trevas, contra nossa velha natureza, lutamos contra o pecado, trabalhamos por santidade, crescimento espiritual e cuidadosamente tentamos ter o máximo de zelo em nosso chamado ministerial – isso torna-se nossa rotina.
Em meio a todas essas “frentes de batalha”, ainda temos nossa vida social, estudos, trabalho, compromissos conjugais, sociais e familiares, nos quais somos chamados a desempenhar resultados melhores do que aqueles que estão a nossa volta.
Isso é apenas um pouco do que consiste nossa trajetória nessa esfera terrena, e jamais pode ser resumido em simples linhas escritas – estamos falando de sua vida – e ela é vivida em momentos específicos, manifestados diariamente, que no passar de todos esses anos constroem a pessoa que você é hoje e, ninguém melhor que você, para saber o que você já passou e tem passado.
Provavelmente, depois de todas essas lutas, de tamanhos desgastes sofridos e de situações internas e externas que a maioria desconhece, hoje, nesse exato momento, você está fraco, totalmente fraco, sem forças para lutar, prosseguir, continuar… Não que você vá desistir, mas você não vê qualquer possibilidade de ter o mesmo desempenho anterior: falta-lhe coragem, ânimo, disposição. Acabou-se a força física, mental, emocional, espiritual e todas essas estão minguando a cada dia, mesmo debaixo de tão poderosa fé que você professa em Jesus Cristo.
O que estou falando é realidade na vida de muitos: não é baboseira filosófica! Alguns entre nós estão vivendo esse quadro e não têm força alguma para se erguer. Perderam a motivação, a garra, a vibração, estão fracos, sentindo fraqueza, profunda fraqueza!
O que fazer diante de tamanho domínio exercido por esse tão forte inimigo?
O texto de Hebreus nos ensina a não desistir e usar uma das maiores armas do cristão: a FÉ!
Da fraqueza tiraram forças”, esse texto foi extraído da galeria dos heróis da fé, homens e mulheres que não venceram só esse gigante, mas também tantos outros ainda maiores, todos eles usando o mesmo dom, a mesma arma: a FÉ!
Como isso pode ser possível?! O texto diz que essas pessoas – nesse mesmo estado que você se encontra de profundo desencorajamento e fraqueza – em meio a essa terrível situação, elas tiram forças da fraqueza.
Isso só pode ser feito por meio da fé: a convicção que o próprio Deus colocou em você, a certeza que tudo está sobre Seu controle, que cada passo nosso é dirigido por Sua soberania, e que todos os nossos esforços não são realmente aquilo que nos garante a vitória em nossa luta diária, mas sim o Seu poder que em nós opera! Veja o exemplo de fé do rei Ezequias: ele estava doente a ponto de morrer – fraqueza física era seu problema – contudo, em meio àquele terrível estado, conseguir tirar forças através da sua notável fé: orando a Deus, buscando-O e crendo que aquela situação poderia ser mudada. Não poderia um homem como aquele, no estado de doença que se encontrava, tendo uma palavra de morte dada por um dos maiores profetas de todos os tempos (Isaías), ter desistido? De onde esse homem tomou forças em meio a tantos obstáculos? Foi através da FÉ, da convicção, da esperança!
E o que dizer de Sansão, quando teve os cabelos cortados, os olhos vasados, perdeu sua glória expressa em sua extraordinária força e foi preso e molestado pelos filisteus ao ponto de brincarem com ele como um palhaço? Esse homem experimentou todos os níveis de fraqueza: a física, a espiritual, a emocional, a moral, todas no seu extremo, quando o Espírito o deixou. Não me diga que você está mais fraco que Sansão esteve!
O que as Escrituras nos dizem sobre isso? Que em meio àquela agudíssima fraqueza Sansão encontrou forças para clamar a Deus, pedindo que novamente lhe concedesse força e que ele fosse colocado entre as colunas do templo de Dagom e ali protagonizou uma das cenas mais poderosas da Bíblia: a morte de todos os seus inimigos! De onde Sansão conseguiu tais forças, estando ele vulnerável como estava? Foi através da FÉ!
Meu querido leitor, não se dê por vencido, ainda não acabou, em meio a esse caos que você está vivendo, esse deserto seco, árido, sombrio, incerto, inerte, passivo, há uma esperança: a FÉ que Ele te deu, a fé para saber que Ele pode executar todos os desígnios do seu coração e que pode mudar o cenário a qualquer momento!
Em meio a esse “coma espiritual”, que se compara àquele do exército relatado pelo profeta Ezequiel: tão fraco que chegou a ser “sequíssimo”, daí você pode tirar forças! Exerça sua em Cristo, na Sua pessoa e no Seu sacrifício, assim o poder do Espírito Santo te revestirá e uma força sobre-humana te alcançará. Força essa que não depende do seu estado natural, mas força dada a nós pela graça divina!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ATITUDE - Pastor Paulo Júnior!


E Jesus disse: Ó geração incrédula e perversa! (…) Até quando vos sofrerei?(…) Mt 17.17
Essa notável declaração, citada por Jesus, no texto acima, diz respeito à passagem do jovem lunático – o endemoniado. Um pai aflito foi até Jesus rogar pelo seu filho, que estava sofrendo de gravíssimas convulsões; o jovem foi levado à presença de Jesus, que repreendeu o demônio e curou completamente aquele garoto. Porém, o pai do menino relatou algo interessante a Jesus: “Antes de vir a Ti, levei meu filho aos teus discípulos e eles não puderam curá-lo”, foi então que Jesus respondeu, citando a frase: “Até quando vos sofrereis?”.
Eu quero discorrer hoje, nessa palavra devocional, sobre essa declaração um pouco impaciente de Jesus e dizer a você, caro leitor, que é um cristão autêntico, mas que tem vivido uma vida cristã descoordenada, ora está em cima ora está em baixo, ora vence ora perde. Que não é uma pessoa consistente, que nem mesmo tem certeza daquilo que crê, enfim, se mostra um cristão volúvel. Você que está se perdendo nos seus pecados, vive “dando trabalho” nas mesmas áreas, não cresce, não amadurece, não enxerga coisas óbvias que estão bem à sua frente e que não dá resultados expressivos na sua fé.
Jesus está bradando a você dizendo: “Até quando? Até quando você vai continuar nessa vida? Até quando Eu vou ter que sofrer (suportar) seus inúmeros erros? Sua incompetência? Até quando, mesmo Eu tendo mostrado tanta graça e misericórdia na sua vida, você ainda duvidará do Meu poder”?
Jesus estava dizendo aos discípulos: “Está na hora de vocês amadurecerem e de, em certas áreas, caminharem sozinhos. Já chegou a hora! Não é mais possível suportar vê-los com essa insegurança, ainda tão tímidos e sentindo medo! Como nos altos e baixos de Pedro: andou sobre o mar depois afundou, declarou que Cristo é o Filho de Deus e depois o negou”. Jesus não estava aguentando isso mais! E Ele, com um tom rude, estava gritando: “Geração incrédula e perversa, Eu não tolero mais essas variações”!
Você pode achar que Jesus não estava sendo justo, ou amoroso e tampouco complacente. Não é isso. Jesus, naquela hora, estava disciplinando os discípulos, estava trabalhando para o seu crescimento. A ira de Jesus foi por já ter ensinado tanto a mesma coisa e eles não terem entendido até aquele momento.
É disso que se trata essa mensagem: atitude, mudança! É tempo de ter responsabilidade quanto a seu estado, basta com seu “jeito EU de ser”. Não dá mais para andar em círculos. Ser conhecido como a pessoa mais chata de sua comunidade. Fraca. Ferida. Basta com suas limitações. Sempre precisa ser carregado. Porque o original “vos sofrereis” significa: “vos carregareis,” só funciona mediante a ferroadas. Provérbios ainda nos diz: “Até quando, ó néscio, amareis a necedade” (Pv 1.22). Uma vez mais o texto está bradando: “Até quando”!
Diante dessas declarações você pode pensar: “Mas tudo tem o seu tempo certo. Talvez não seja meu tempo de dar frutos. É o meu tempo de vale, de estagnação”. E você até recorre a Eclesiastes capítulo 3: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo”. Entretanto Jesus está refutando essa argumentação dizendo: “Para alguns está mais do que no tempo de mudarem, aliás, já passou do tempo de mudarem e tomarem uma atitude”. Desta maneira, essa advertência de Jesus alcança todos nós que temos dificuldade de crer.
Não baseie sua vida em sentimentos ou na maneira que você a enxerga, examine-a baseado em estatísticas, fatos, coisas sólidas. Vamos lá, jogue a toalha! Cadê os resultados, onde eles estão? Olhe pra você! Seja sincero… Pare de se enganar! E caso você não mude, poderá sofrer consequências, veja o que, mais uma vez, o livro de Provérbios ensina: “Aquele que, sendo muitas vezes repreendido, endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura” (Pv 29.1). O original para a palavra “quebrantado” significa “moído, destruído”.
Quero te convencer, agora que te despertei para sua presente realidade, que contra fatos não há argumentos e que o próprio Jesus está te chamando para se levantar e agir. Comesse a partir de agora! Mude seu conceito de si mesmo. Cresça. Amadureça. Se for para fazer algo radical, que você o faça! Pois chegou a hora de você caminhar com as próprias pernas, dar frutos de justiça, ser um cristão competente, idôneo e maduro. Você não acha que já está na hora de orgulhar o seu Senhor? Honrá-Lo, fazer com que Ele olhe para você e diga: “Esse é mais um filho amado em quem me comprazo”.
O desejo de Jesus é positivo para nossa vida, todas as vezes que somos corrigidos e advertidos por Ele nunca devemos enxergar como algo ruim, ou que nos desmotive, pois Cristo está visando nosso progresso espiritual. E Ele te diz isso, não para te agredir ou acusar. Essa ira santa de Jesus é porque Ele não aguenta mais ver você humilhado por onde passa e naquilo que você faz, seja pelo diabo, seja pelas pessoas. Pois, nessa fase, os discípulos estavam sendo constantemente humilhados, estavam sempre “dando cabeçadas” e é por isso que Jesus os repreendeu, porque Ele se entristece com as nossas humilhações e tolas derrotas.
Ele te diz isso para que você goze das riquezas insondáveis que Ele tem, pois à medida que você cresce elas te são entregues. Para que a sua confiança e dependência Dele aumentem mais e mais, tornando possível que você conheça a largura, a profundidade e toda a extensão do Seu infinito amor, porque o desejo sincero Dele é que você tenha o privilégio de ser o Seu braço direito, sendo chamado de amigo e cooperador do Deus vivo, na sua grande obra! Então vamos “porque já é hora de despertarmos do sono” (Rm 13.11).
Atitude, essa é a palavra para hoje.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A Existência de Deus - Pastor Paulo Júnior


1.1 INTRODUÇÃO
É praticamente impossível à mente humana, limitada que é, alcançar a compreensão do que é Deus, em toda sua extensão e perfeição, e assim formular uma definição do que Ele seja. Deus é infinito em todos os sentidos e, desta forma, toda tentativa de explicá-Lo de maneira compreensível ao homem é ainda muito inferior (mas não inútil) àquilo que Ele realmente é.
Entretanto, foi e é, da vontade de Deus, que o homem, obra máxima de sua criação e refletora de Sua Pessoa, O conheça, ainda que por agora de forma limitada. Portanto, Deus providenciou formas para que o homem pudesse conhecê-Lo e ter relacionamento com Sua Pessoa.
Qualquer esforço do homem para definir Deus sempre será incompleto e muito distante de revelar quem Ele é, por isso a própria Escritura diz em Isaías 55:8-9:
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”.
Então, por não podermos compreender apenas pela razão o que é esse Ser Extraordinário, chamado de Deus e Senhor, devemos pensar como Agostinho:
“Creio, para que possa compreender”.
Assim, o conhecimento de Deus se inicia pela fé, como ensinou Paulo aos Romanos (10:17):
“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus”.
E essa fé é a ligação do homem com a espiritualidade de Deus, ou seja, a única forma de se entrar em contato com o mundo de Deus, melhor, a dimensão onde Deus está, é mediante a fé, por isso está escrito em Hebreus 11:1:
“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”.
Desta maneira, a compreensão de Deus é feita de modo espiritual, e não apenas por meio dos sentidos naturais do homem (aquilo que se vê, se ouve, se toca, se saboreia e cheira).
De modo que a compreensão de Deus se inicia e se sustenta pela fé, mas é aperfeiçoada pelo conhecimento, podendo evoluir para experiências naturais com Deus, tais como ouvir a própria voz de Deus, como Isaías e os demais profetas, ver o Mar Vermelho se abrir, como o povo hebreu no deserto, receber os Dons do Espírito Santo, como os discípulos no Pentecostes, e muitas outras experiências que ainda hoje são possíveis. E é isso que a Escritura declara em Hebreus 11:6:
“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”.
Portanto, para que se compreenda Deus é necessário que se creia que Ele existe, o que só então possibilitará ao homem conhecê-Lo, aproximar-se e ter experiências naturais com Ele.
Nesse ponto, citando o pastor e teólogo John Owen, podemos tentar conceituar Deus como:
“Um ser eterno, não causado, independente, necessário, que tem poder ativo, vida, sabedoria, bondade e qualquer outra excelência na mais elevada perfeição em si e de si mesma”.
E ainda, na definição do teólogo Augustus Hopkins Strong:
“Deus é o Espírito infinito e perfeito, em quem todas as coisas têm sua fonte, sustento e fim”.
1.2 A CONSCIÊNCIA NATURAL DA EXISTÊNCIA DE DEUS
Primeiramente, é importante termos em mente que a existência do homem está totalmente vinculada à existência de Deus. De maneira que a existência do homem prova a existência de Deus (essa afirmação é melhor explicada no item 1.3).
Assim, partimos do princípio que o homem já nasce com a consciência da existência de um ser superior, ou seja, de um “deus”, por isso se diz: “consciência natural”.
Em todos os lugares do mundo, o ser humano é apegado à ideia da existência de um ser supremo (deus), que cuida da existência do homem, do tempo e de toda a natureza. Isso se comprova na análise de todas as civilizações que já existiram na Terra, tanto aquelas estudadas na História: babilônicos, assírios, egípcios, gregos, como também os povos que foram recentemente descobertos: incas, astecas, maias e outras culturas indígenas, as quais cultuavam um ou vários deuses.
É bom lembrarmos que entre os gregos, os quais o apóstolo Paulo visitou em sua viagem missionária (At. 17:23) haviam inúmeros deuses e entidades sobrenaturais, contudo, havia um altar, ao DEUS DESCONHECIDO, não porque os gregos pensavam ter esquecido de algum
deus, mas devido a saberem (intuitivamente) acerca da existência de um ser superior a tudo que eles conheciam até então, o nosso Deus e Senhor Jesus Cristo.
Fato é que, em todos os lugares, e em todas as épocas, o homem cultuou a um “deus”, possuidor de características superiores às dele próprio, seja esse ser um “deus” humanizado, difuso ou etéreo, personificado na natureza, manifestado em eventos e circunstâncias acima do seu poder de explicação. O homem carrega dentro de si algo que o impele à um conhecimento extremamente elevado, chamado fé.
E por que o homem possui essa consciência natural da existência de Deus?
Em Gênesis. 2:7, está escrito:
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”.
Com base nesse texto, percebemos que no ato da criação do homem, Deus depositou dentro do homem parte de Sua própria natureza, isto é, a vida (Deus, que é vida – Jo.14:6 e I Jo. 1:2 – colocou dentro de sua nova criatura, o homem, a vida), inserindo no homem o conhecimento da Sua existência.
Logo, é natural a consciência da existência de Deus ao homem, pelo fato de sua própria formação ter decorrido da operação de Deus. É o mesmo que ocorre na vida de uma criança separada de seu pai: ainda que essa criança jamais o tenha visto, ou possuído qualquer contato com seu pai biológico, ela possuirá características que a identificará com ele, porque carrega em si semelhanças com esse pai: cor dos olhos, temperamento, forma física, e muitas outras afinidades, que a fará semelhante a esse pai – e ainda, ninguém falará que pelo pai dessa criança não estar perto e ser conhecido objetivamente por todos, não exista.
A Bíblia concorda com esse exemplo, ao apresentar o homem como criado “a imagem e semelhança de Deus”, no livro de Gênesis 1:26:
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança(…)”.
O escritor Robert Browning expressa a certeza da existência natural de Deus de forma clara:
“Eu sei que Ele está ali, como eu estou aqui, com a mesma prova, que parece não provar nada, e isto vai além das formas familiares de prova.”
Desse modo, é natural a consciência no homem da existência de Deus, pois o homem carrega dentro de si mesmo, ainda que em uma proporção muito menor, características e atributos que o próprio Deus possui (bondade, amor, sabedoria, justiça, veracidade).
1.3 A LIMITAÇÃO HUMANA
A existência de Deus é conhecida pelo homem quando, apesar das suas limitações, fraquezas e mortalidade, consegue conceber a ideia de um ser ilimitado, perfeito e eterno. Partindo desta ideia apresentaremos três argumentos acerca da existência de Deus: 1 – O Argumento Ontológico, de Anselmo de Cantebury, 2 – Os Cinco Argumentos em Prol da Existência de Deus, de Tomás de Aquino, e 3 – Deus Como Expressão Máxima das Virtudes Humanas.
1.3.1 O ARGUMENTO ONTOLÓGICO
Um dos argumentos mais sólidos, no campo filosófico, para sustentar a existência de Deus, é o Argumento Ontológico (Ontologia: ramo da filosofia que estuda a existência e a constituição do ser), defendido por Anselmo de Cantebury, no século XI.
Na tentativa de ajudar o homem a se aproximar de Deus, Anselmo criou um argumento em favor da existência de Deus através da razão, onde nenhum engano fosse capaz de distorcer essa existência. O argumento de Anselmo é este:
“Por definição, Deus é o mais perfeito dos seres, de tal modo que é impossível conceber outro ser mais perfeito; porém, se supuséssemos que Deus existe apenas como uma proposta intelectual, e não na realidade, então seria claro, por Deus existir verdadeiramente somente no intelecto (mente humana), que seria possível imaginarmos um ser mais perfeito do que o nosso ser perfeito (Deus), a saber, um que existisse na realidade e não apenas no intelecto. Portanto, Deus, o ser perfeito – deve realmente existir”.
Deste modo, o homem pode concluir pela existência de um Ser Supremo (Deus), pois seu intelecto e sua experiência natural lhe mostram que ele – homem – é limitado, o que o leva a ter certeza que acima dele deve haver um Ser Perfeito, ilimitado e completo, que quando o homem deixa de existir, continua existindo e sustentando todo o sistema do universo, como o Apóstolo Paulo afirma em Atos 17:28:
“Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos (…)”
E ainda é assegurado em Hebreus 1:3, que o próprio Deus sustenta todas as coisas pela Palavra do Seu poder:
“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder (…)”
1.3.2 OS CINCO ARGUMENTOS EM PROL DA EXISTÊNCIA DE DEUS
Tomás de Aquino foi um dos maiores filósofos cristãos, que defendeu a existência de Deus no século XIII, utilizando-se da metafísica (que é o ramo da filosofia que estuda a essência dos seres e a transcendência, ou seja, aquilo que ultrapassa os aspectos físicos e busca a causa deles), apoiando sua doutrina através de cinco argumentos de razão pura.
Os cinco argumentos são:
1 – O Movimento: Todas as coisas no universo estão em movimento, ou seja, em contínuo desenvolvimento. Contudo para que saiam do estado de inércia (ausência de movimento), para o estado de ação, deve haver uma força capaz de proporcionar a ação. Por exemplo: Uma bola de futebol se movendo. O pé do jogador a colocou em movimento. O jogador foi gerado de sua mãe. E sua mãe nasceu de sua avó, e esta de sua bisavó, e assim regressivamente.
Se fôssemos voltando até encontrar o primeiro movimento, que retirou a bola da inércia e a colocou em movimento (ação), nunca o encontraríamos, pois sempre existiria um movimento anterior, até o ponto em que fosse impossível chegar ao primeiro movimento (ou alteração), por essa razão, precisamos apontar um primeiro movimentador (alterador), que não é movido por ninguém, mas que movimenta todas as coisas, e todos compreendem que este é Deus.
2 – As Causas Eficientes: Nesse mundo palpável, todas as coisas existentes possuem uma causa anterior de existir, que deve ser maior do que a própria causa. Por exemplo: Um carro viajando por uma estrada. É impossível imaginar um carro existindo sem que haja uma fábrica que o produziu (a fábrica é a causa eficiente, que produziu o carro) e da mesma maneira é impossível imaginar uma estrada que não tivesse sido construída por alguma empresa construtora (a empresa construtora é causa eficiente, que construiu o carro).
Não há nenhum caso conhecido no mundo em que uma coisa qualquer é a causa eficiente de si mesma, pois nesse caso, seria anterior a si mesma, o que é simplesmente impossível. Como no nosso exemplo é impossível imaginar que o carro e a estrada existam por si mesmos, isto é, sem uma causa eficiente.
Assim, se retrocedermos, causa por causa, até o infinito, teremos que admitir uma primeira causa eficiente (que produz de si mesma), à qual todos damos o nome de Deus.
3 – A Possibilidade e a Necessidade: Na observação da natureza, podemos encontrar coisas que são possíveis de ser e não ser, de modo que, dependendo da circunstância algo é possível, e em outras situações não é possível. Por exemplo: É possível a um homem, em condições climáticas normais, colocar fogo em um arbusto, mas caso esteja chovendo muito, isso não é mais possível. Entretanto, se parar de chover, torna-se possível ao homem atear fogo no determinado arbusto. Então, podemos dizer em nosso exemplo, que enquanto estiver chovendo, não existe fogo no arbusto (não ser), ao passo que, terminada a chuva e colocado o fogo pelo homem, o arbusto se incendeia (ser).
Dessa maneira, todas as coisas dependem da possibilidade de ser, pois caso não haja a possibilidade para determinada coisa de ser, ela não será, isto é, não existirá.
Podemos falar agora da necessidade. Para que alguma coisa seja possível de ser, deve haver algo capaz de fazer possível que determinada coisa seja. Esse algo capaz de fazer alguma coisa ser, então, é algo necessário, sem o qual não seria possível para a coisa ser.
No exemplo acima, a não existência de chuva forte, faz o fogo no arbusto ser. Se fôssemos retroceder a todas as coisas necessárias para que o arbusto pegasse fogo, voltaríamos até o infinito, pois o ato de colocar fogo no arbusto faz parte de uma cadeia sequencial de atos (necessidade) até que seja possível colocar fogo no arbusto (arbusto seco – arbusto – nascimento do arbusto – semente do arbusto – terra para plantar o arbusto, e assim até o infinito).
Assim, não podemos deixar de admitir a existência de algo que tem em si mesmo sua própria possibilidade e necessidade, não as tendo recebido de nenhum outro, mas antes, esse algo é a causa necessária e da possibilidade de tudo mais ser. A esse algo, todos os homens chamam de Deus.
4 – A Gradação: Em todos os seres, podemos encontrar um determinado sistema de gradação entre eles, isto é, alguns que são mais e outros que são menos bons, amáveis, sinceros, nobres. Porém essas gradações (de mais ou menos) são atribuídas a diversas coisas na medida em que elas se parecem com algo que é o máximo. Por exemplo: Dizemos que alguém é mais nobre, mais amoroso, mais misericordioso, em relação àquele que é nobre, amoroso e misericordioso.
O máximo, dentro de qualquer gênero, é a causa de tudo quanto existe nesse gênero. Assim, deve haver algo que, para todos os seres, é a causa do ser de todos eles, de sua bondade e de todos os seus outros atributos, e a esse algo graduado no nível máximo, chamamos de Deus.
5 – O Governo e a Finalidade: A quinta maneira de se provar a existência de Deus se baseia no governo e na finalidade (teleologia) inteligente do mundo, isto é, as coisas existentes, não estão no mundo aleatoriamente dispersas, mas possuem uma utilidade, e ainda além dessa utilidade, possuem uma finalidade. Por exemplo: A erva cresce, se torna alimento da ovelha, e esta se transforma em alimento e vestimenta para o ser humano.
Entretanto esse argumento vai muito além de mostrar uma cadeia simples de governo e finalidade (erva – ovelha – homem): Ele revela a inter-relação perfeita de todas as coisas no mundo. Assim, todas as coisas naturais foram ordenadas a se comportar de uma determinada forma (governo), para atingirem um objetivo também previamente estabelecido (finalidade).
Ora, é impossível para coisas irracionais se dirigirem a uma finalidade, a menos que sejam orientadas por algum ser dotado de conhecimento e inteligência, tal como a flecha não pode atingir um alvo se não for orientada pelo lanço de um arqueiro. Portanto, existe algum ser por meio do qual todas as coisas naturais são dirigidas (governadas) às suas respectivas finalidades (pré-determinadas por Ele). E a esse ser chamamos de Deus.
1.3.3 DEUS COMO EXPRESSÃO MÁXIMA DAS VIRTUDES DO HOMEM
O homem é o ápice de toda criação que há no mundo. Não há nenhuma coisa ou ser que se compare a ele em domínio, finalidade, vontade ou potencial.
Existem coisas que são maiores ou mais poderosas que ele, mas o homem tem a capacidade de dominar a todas: desde o corte de árvores gigantescas, até o redirecionamento de rios inteiros ao seu querer. Muitos seres são mais ágeis e resistentes que o homem, contudo, tanto os grandes felinos, como o tigre e o leão, quanto as imensas baleias são facilmente dominadas pela capacidade do homem. Todas essas condições foram presenteadas ao homem, por Deus, conforme Gênesis 1:28:
“E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move sobre a terra.”
Entretanto, o ser humano possui virtudes que vão muito além daquelas que são aplicadas às aptidões físicas ou intelectuais: Ele possui virtudes de caráter, que são inconciliáveis com qualquer instinto e lógica natural, ou seja, o indivíduo humano externa determinadas atitudes que contrariam o instinto de autopreservação ou de prazer próprio.
Por exemplo, o homem é capaz de atos de extrema bravura e nobreza, ao entrar em locais em chamas para salvar a vida de seus semelhantes, e isso sem receber nenhuma retribuição, ou ainda, é capaz de renunciar honras a sua própria pessoa para reconhecer que outros fizeram um melhor trabalho que ele, e por isso são mais dignos de receberem as honras que lhe são prestadas.
Muitos outros exemplos poderiam ser apontados, mas esses já bastam para concluirmos que o homem possui, como nenhuma outra coisa ou ser, virtudes morais, que o determinam a definidas atitudes que não são nem instintivas, tampouco apenas intelectuais.
Pensando sobre a possibilidade de se provar a existência de Deus, um grande filósofo moderno (séc. XVIII), chamado Immanuel Kant, através de várias obras no campo da filosofia – ora assumindo a existência de Deus (História Geral da Natureza), ora a criticando (Crítica da Razão Pura) – construiu um sistema que o levou a concluir, em sua obra O Único Argumento Possível para a Existência de Deus, que é possível se provar a existência de Deus através da finalidade moral que o homem possui. Kant entende que o homem é um ser dotado de uma razão que é prática, isto é, que é capaz de agir intencionalmente. Isso significa que o homem possui a capacidade de dar uma finalidade às suas atitudes, independentemente de seu instinto (algo semelhante ao livre-arbítrio, ainda que apenas em parte).
Logo, se pela finalidade natural (ver Item 1.3.2 Os Cinco Argumentos em Prol da Existência de Deus, de Tomás de Aquino) já era provável a conclusão de uma causa inteligente do mundo (Deus), muito mais acertado é deduzir a existência de Deus, tomando-se por base a finalidade
moral do ser humano, ou seja, se o homem é moral, Deus é a causa máxima da moralidade do homem, e além disso, é um legislador moral do mundo.
E isso se dá em virtude do homem possuir, em si, da mesma substância de Deus (evidentemente apenas em parte, e outorgada a ele, mas não como dele próprio), pois Dele foi derivado, de acordo com Gênesis 1:26-27 e 2:7:
“E disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança (…). E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (…). E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.”
Assim, todas as virtudes do homem (bondade, amor, nobreza, simplicidade, generosidade, etc) devem possuir uma fonte que é a geradora de todas elas, ou seja, que é o grau de virtude máxima, de forma que ao valor moral mais sublime dá-se o nome de Deus.
1.4 CONCEITUAÇÕES ECLESIÁSTICAS DE DEUS NA FÉ PRÁTICA REFORMADA
1.4.1 A CONCEITUAÇÃO LUTERANA DE DEUS – Confissão de Fé Alemã (Augsburgo) de 1530, por Philipp Melanchthon.
Em primeiro lugar, ensina-se e mantém-se, unanimemente, de acordo com o decreto do Concílio de Nicéia, que há uma só essência divina, que é chamada Deus e verdadeiramente é Deus. E todavia há três pessoas nesta única essência divina, igualmente poderosas, igualmente eternas, Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, todas três uma única essência divina, eterna, indivisa, infinita, de incomensurável poder, sabedoria e bondade, um só criador e conservador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E com a palavra persona se entende não uma parte, não uma propriedade em outro, mas aquilo que subsiste por si mesmo, conforme os Pais usaram esse termo nessa questão.
Rejeitam-se, por isso, todas as heresias que são contrárias a esse artigo, como os maniqueus, que afirmaram a existência de dois deuses, um bom e um mau; também os valentinianos, arianos, eunomianos, maometanos e todas as similares, também os samosatenos, os antigos e os novos, que afirmam uma só pessoa e sofismam acerca do Verbo e do Espírito Santo, dizendo não serem pessoas distintas, porém que Verbo significa palavra ou voz física, e que o Espírito Santo é movimento criado em suas criaturas.
1.4.2 A CONCEITUAÇÃO PURITANA DE DEUS – Confissão de Fé Escocesa de 1560, por John Knox e outros.
Confessamos e reconhecemos um só Deus, a quem, só, devemos apegar-nos, a quem, só, devemos servir, a quem, só, devemos adorar e em quem, só, devemos depositar nossa confiança (Dt. 6:4. I Co. 8:6. Dt. 4:35. Is. 44:5-6.). Ele é eterno, infinito, imensurável, incompreensível, onipotente, invisível (I Tm. 1:17. I Rs. 8:27. II Cr. 6:18. Sl. 139:7-8. Gn. 17:1. I Tm. 6:15-16. Êx. 3:14-15); um em substância e, contudo, distinto em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt. 28:19. I Jo. 5:7). Cremos e confessamos que por ele todas as coisas que há no céu e na terra, visíveis e invisíveis, foram criadas, são mantidas em seu ser, e são governadas e guiadas pela sua inescrutável providência para o fim que determinaram sua eterna sabedoria, bondade e justiça, e para a manifestação de sua própria glória (Gn. 1:1. Hb. 11:3. At. 17:28. Pv. 16:4).
1.4.4 A CONCEITUAÇÃO PRESBITERIANA DE DEUS – Confissão de Fé de Westminster de 1647.
Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível, -onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo para a sua própria glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável. É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro remunerador dos que o buscam e, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo o pecado; de modo algum terá por inocente o culpado.
Deus tem em si mesmo, e de si mesmo, toda a vida, glória, bondade e bem-aventurança. Ele é todo suficiente em si e para si, pois não precisa das criaturas que trouxe à existência, não deriva delas glória alguma, mas somente manifesta a sua glória nelas, por elas, para elas e sobre elas. Ele é a única origem de todo o ser; dele, por ele e para ele são todas as coisas e
sobre elas tem ele soberano domínio para fazer com elas, para elas e sobre elas tudo quanto quiser. Todas as coisas estão patentes e manifestas diante dele; o seu saber é infinito, infalível e independente da criatura, de sorte que para ele nada é contingente ou incerto. Ele é santíssimo em todos os seus conselhos, em todas as suas obras e em todos os seus preceitos.
Da parte dos anjos e dos homens e de qualquer outra criatura lhe são devidos todo o culto, todo o serviço e obediência, que ele há por bem requerer deles.
1.4.5 A CONCEITUAÇÃO BATISTA DE DEUS – Confissão de Fé Batista de 1689.
O Senhor nosso Deus é somente um, o Deus vivo e verdadeiro (I Co.8: 4,6. Dt.6:4), cuja subsistência está em si mesmo e provém de si mesmo (Jr.10:10. Is.48:12); infinito em seu ser e perfeição, cuja essência por ninguém pode ser compreendida, senão por Ele mesmo (Êx.3:14).
Ele é um espírito puríssimo (Jo.4:24), invisível, sem corpo, membros ou paixões; o único que possui imortalidade, habitando em luz inacessível, a qual nenhum homem é capaz de ver I Tm.1:17. Dt.4:15-16); imutável (Ml. 3:6), imenso (I Rs.8:27. Jr.23:23), eterno (Sl.90:2), incompreensível, todo-poderoso (Gn.17:1); em tudo infinito, santíssimo (Is.6:3), sapientíssimo; completamente livre e absoluto, operando todas as coisas segundo o conselho da sua própria vontade (Sl.115:3. Is.46:10), que é justíssima e imutável, e para a sua própria glória (Pv.16:4. Rm.11:36); amantíssimo, gracioso, misericordioso, longânimo; abundante em verdade e benignidade, perdoando a iniquidade, a transgressão e o pecado; o recompensador daqueles que o buscam diligentemente (Ex.34:6-7. Hb.11:6); contudo justíssimo e terrível em seus julgamentos (Ne.9:32-33), odiando todo pecado (Sl.5:5-6), e que de modo nenhum inocentará o culpado (Êx.34:7. Na.1:2-3).
Deus tem em si mesmo e de si mesmo toda a vida (Jo.5:26), glória (Sl.148:13), bondade (Sl.119:68) e bem-aventurança. Somente ele é autossuficiente, em si e para si mesmo; e não precisa de nenhuma das criaturas que fez, nem delas deriva glória alguma (Jó 22:2-3); mas somente manifesta, nelas, por elas, para elas e sobre elas a sua própria glória. Ele, somente, é a fonte de toda existência: de quem, através de quem e para quem são todas as coisas (Rm.11:34-36), tendo o mais soberano domínio sobre todas as criaturas, para fazer por meio delas, para elas e sobre elas tudo quanto lhe agrade (Dn.4:25,34-35). Todas as coisas estão abertas e manifestas perante Ele (Hb.4:13); o seu conhecimento é infinito, infalível e
independe da criatura, de maneira que para Ele nada é contingente ou incerto (Ez.11:5. At.15:18). Ele é santíssimo em todos os seus ensinamentos, em todas as suas obras (Sl.145:17), e em todos os seus mandamentos. A Ele são devidos, da parte de anjos e de homens, toda adoração (Ap.5:12-14), todo serviço, e toda obediência que, como criaturas, eles devem a criador; e tudo mais que Ele se agrade em requerer de suas criaturas.
1.5 CONCLUSÃO
Diante de tantos argumentos e proposições filosófico-científicas, até se poderia convencer as mentes sobre a existência e realidade de Deus. Ainda assim, existiram os homens com a consciência cauterizada que o apóstolo Paulo falou, e que em Romanos 1 descreve com clareza.
Não seria necessária a ciência para explicar a existência de Deus. Ele, o Senhor Todo-Poderoso, simplesmente é, o Deus “Eu sou”, que na sarça se revelou a Moisés, e ainda deseja se revelar a todo homem, por meio de Seu Único Filho, Jesus Cristo. Esse Deus utiliza, com toda a certeza, da razão para se mostrar ao homem, pois foi Ele quem lhe conferiu esse presente, contudo, sem a fé, requisito indispensável para se chegar a Ele, a razão só distancia o homem de Deus, e o aproxima mais de si mesmo e da sua vaidade, típica da sua natureza pecaminosa.
O teólogo Augustus Hopkins Strong aponta que sem a prática, a ciência teológica não tem utilidade proveitosa:
“A teologia é uma ciência cujo cultivo pode ser bem-sucedido somente em conexão com sua aplicação prática.”
Um grande cientista cristão, chamado Louis Pasteur, disse uma vez:
“Pouca ciência afasta-nos de Deus; muita ciência nos aproxima Dele.”
Por fim, terminamos com as palavras do homem que mais se esforçou para ensinar os incrédulos no caminho da existência e verdade eterna de Deus, na pessoa de Jesus Cristo, por meio de sua 1ª Carta aos Coríntios, em 1:18,21-24, o apóstolo Paulo ensina:
“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus (…).Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria. Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.”

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Dúvidas Culturais - Pastor Paulo Júnior


1.1 INTRODUÇÃO
O ser humano, por natureza, é um ser investigativo e curioso, sempre afeito a questionamentos e buscas por respostas em toda e qualquer área que lhe suscite atenção. Com relação à fé cristã, existem perguntas que várias pessoas gostariam de ver respondidas com base no posicionamento bíblico-cristão, mas que poucas vezes são respondidas – e quando há respostas, estas não são satisfatórias.
Na maioria dos casos são perguntas sobre temas controvertidos, que são considerados por grande parte da cristandade como tabus: questões que sequer podem ser suscitadas sem causar um certo mal-estar ou que geram prolongadas e infrutíferas discussões.
Serão considerados alguns assuntos que frequentemente são “perguntas sem respostas” para muitas pessoas. Portanto o objetivo do presente estudo é orientar o cristão para que este possua um posicionamento bíblico equilibrado acerca de alguns temas polêmicos e outros considerados como tabus.
1.2 TENDÊNCIAS JUDAIZANTES
Tendências judaizantes são aquelas inclinações, dentro do movimento cristão, que procuram fazer as pessoas retornarem às praticas que eram ordenadas na Lei do Antigo Testamento. Em uma geração que os referenciais cristãos estão cada vez mais escassos, tem havido uma grande ascensão de doutrinas que acabam por confundir a sã doutrina do Evangelho.
De modo semelhante, em vários outros períodos bíblicos as pessoas passaram por momentos em que o referencial de adoração, conduta e doutrina havia sido – ainda que temporariamente – removido.
É exatamente isso que se pode ver, logo no início do livro de Gênesis, quando os habitantes da terra se afastaram completamente de Deus e o Seu juízo tragou a todos, salvando apenas o crente e fiel Noé (v. Gn. 6, especialmente o versículo 5, combinado com 2Pe. 2.5).
Da mesma forma, houve confusão generalizada na geração seguinte à geração de Josué, conforme se lê em Jz. 2.10-13 em que o povo, por falta de um padrão de conduta, abandonou a vida piedosa e retornou à prática do pecado. Ainda, é dito repetidas vezes no mesmo livro dos Juízes que “não havia rei em Israel e cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (v. Jz. 17.6). Isso é exatamente o que tem acontecido na atualidade: um povo sem uma direção sábia e comprometida com a Palavra de Deus sendo guiado pelo sabor da vontade de líderes inescrupulosos (v. Ef. 4.14, 1Tm. 4.1-2).
E quantos outros exemplos poderiam ser citados, como na época do fiel rei Josias, na qual o Livro da Lei fora novamente encontrado pelo sumo sacerdote Hilquias e uma reforma doutrinária foi promovida (2Re. 22-23)?
Desta maneira, percebe-se claramente que a confusão na conduta, doutrina e no culto cristão atual foi, e é causada pela ignorância das Escrituras (Os. 4.6) e pela má doutrinação e liderança cristã (2Pe. 2.1-2).
Nos dias de hoje, tornou-se extremamente comum a realização de “atos proféticos”: com o uso de instrumentos judaicos (p.ex. shofar) e a prática de “orar descalço” – em referência a Moisés que retirou suas sandálias por estar na Presença de Deus (Ex. 3.4-5) – a celebração de “festas judaicas” e a utilização de preceitos notoriamente da Lei, como a guarda do Sábado e a utilização de véus.
Será que o Evangelho de Cristo se tornou tão corriqueiro e monótono que novamente é necessário retirar inspiração “dos trapos de imundícia” das obras da Lei (Is. 64.6)? Será que a inspiração e direção Neotestamentária se tornou de tal forma esquecida na Igreja que é preciso retornar aos rudimentos envelhecidos e já inúteis do Antigo Testamento (Gl. 3.24-25)?
O crivo pelo qual todas essas “novas doutrinas judaizantes” devem passar é a doutrina dos apóstolos, conforme apregoado em Ef. 2.20: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina”.
1.2.1 ATOS PROFÉTICOS E FESTAS JUDAICAS
No meio evangélico, principalmente na corrente denominada de “Neopentecostalismo”, há uma grande utilização de “atos proféticos”, que são práticas de vários exercícios ou mesmo rituais, que “geram efeitos no mundo espiritual”, segundo dizem.
Com essas atitudes, milhares de pessoas têm “dado voltas ao redor de templos, quarteirões e cidades”, declarando que os mesmos “são de Jesus”. Quebram-se maldições e vínculos com vários pecados através do “lançamento de papéis em fogueiras ungidas”. Curas sentimentais são realizadas através de regressões (técnicas espiritistas, principalmente orientais) nas quais se “perdoa até Deus”.
“Marchas” são organizadas com o intuito de “impactar o mundo espiritual de uma cidade”.  “Chaves de cidades e estados” têm sido entregues a “Jesus” por políticos e autoridades públicas. Técnicas e mais técnicas têm sido empregadas para expulsar toda sorte de demônios, por meio de “rosas ungidas, vales de sal, águas santificadas, óleos ungidos, sopros santos” e mais uma infinidade de verdadeiras “macumbas cristãs”.
Beira o ridículo todas as situações encartadas acima, mas a triste realidade é que elas existem e são cada vez mais praticas pelos cristãos modernos, como se a fé tivesse que ser estimulada por “atos representativos”, que demandam atitudes visíveis, para que de alguma forma estes atos reflitam no mundo espiritual.
A popularização de tais “atos proféticos” se dá, principalmente, pela tendência do povo brasileiro a aceitação de todo tipo de “folclore, simpatias, mandingas e crendices”. A questão mística e transcendental, aliada a elementos rituais, sempre atraiu a atenção do povo desta nação. Prova é o sucesso das famosas “benzedeiras” e seus “ramos de mamona, arruda e várias outras ervas”, das tradições de virada de ano (usar roupas brancas ou coloridas conforme o desejo que se faça para o ano que se inicia), as barquetas lançadas ao mar e aos rios pedindo a proteção de entidades, os incontáveis chás e poções “naturais” que resolvem qualquer problema, enfim, o povo brasileiro é apegado a representações físicas/materiais da fé!
Entretanto, no que diz respeito ao cristianismo bíblico, a fé não possui absolutamente nenhuma relação com aquilo que se vê ou se toca (Hb. 11.1: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem”), ou seja, a fé lida com o esperado, não o realizado, com o invisível, não o visível. Este é o indubitável ensino do apóstolo Paulo, ao esclarecer que a conduta e a vida cristã jamais devem depender das aparências e da matéria visível (2Co. 4.17-18, 5.7).
A carta de Paulo aos efésios (Ef. 6.12) mostra, de forma incontestável, que a luta cristã não é“contra carne e sangue”, isto é, contra coisas aparentes e visíveis, contra pessoas e situações materiais, mas contra “principados, potestades, príncipes das trevas e hostes espirituais da maldade”, ou seja, contra um reino intangível pelos meios físicos – e quantos estão dando “tiros nos demônios”!
De nada adiantarão esses inúmeros “atos proféticos” contra inimigos que são espirituais! “Queimam-se papéis” com confissões de pecados sexuais e vícios, mas se o irmão ou irmã“não resistirem até o sangue na luta contra o pecado” (Hb. 12.4) e não forem transformados e regenerados pelo Espírito Santo (Rm 12. 1-2, Tt. 3.4-7), toda celulose do mundo poderá ser queimada e o pecado continuará lá!
Orar com os pés descalços! Meu Deus, agora tem-se que o poder da oração está na condição exterior, e não em um coração quebrantado, santo, contrito e humilde diante de Deus, tudo isso aliado a uma oração bíblica que exalta a soberania e majestade de Deus!? Onde vão parar os modernos “rituais/macumbas cristãs”? Diz-se que “tocar shofar” abre o mundo espiritual! Então, onde vemos o apóstolo João – que teve a visão do Apocalipse – cercando-se de uma “orquestra de shofares” e os tocando para lhe ser revelado o fim de todas as coisas?
Pelo contrário, vemos o solitário e último apóstolo vivo preso em uma ilha chamada Patmos, pelo testemunho do Evangelho e por não se curvar ao mundo e às suas práticas (Ap. 1.9-10)! Quem quer “abrir o mundo espiritual” com a mesma conduta de João?
Nesse ponto alguém poderia dizer: “E quanto a Josué, circulando por sete vezes a cidade de Jericó e os gritos do povo, que promoveu a queda das muralhas?”, será que alguém atentou para o “simples” fato registrado no versículo 2 (Js. 6.2): “Então disse o Senhor a Josué”? Foi Deus quem deu essa orientação específica a Josué! Ele não interpretou algo, não sentiu alguma coisa e não tomou nada emprestado de passagens bíblicas fora de contexto, mas nesse caso de Josué, o próprio Deus ordenou que assim fosse.
Logo, não se pode fazer de uma instrução específica de Deus a Josué uma doutrina aplicável a todas as pessoas! Se assim fosse, deveríamos ver irmãos oferecendo seus filhos como sacrifício a Deus – você se lembra de Abraão e de seu filho Isaque (Gn.22.1-10)? Ou quem já entregou sua filha à virgindade perpétua, como Jefté (Jz. 11.29-40)? Quem já fez estes “atos proféticos”?
A diferença é que, no contexto do Novo Testamento, as instruções para os cristãos nunca foram – e nunca serão – de cunho externo, mas sempre de cunho interno. O que isso significa? Que a obra de Deus se faz no interior do cristão, por meio do Espírito Santo, de maneira que “purificado o interior, o exterior será limpo” (Mt. 23.26), ou seja, o foco do cristianismo não são grandes realizações externas, mas grandes realizações no caráter de um homem podre e degenerado, tornando-o santo e regenerado (Ef. 3.16, 1Pe. 3.4)!
A feitura desses “atos proféticos” retira a responsabilidade de profunda intercessão pelas almas das pessoas perdidas, pois, dizem os adeptos desses “atos”: as almas virão! Será que não sabem o que o Salmo 2.8 diz: Pede-me, e eu te darei os gentios…”, ou não conhecem a aflição do apóstolo Paulo: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto até que Cristo seja gerado em vós” (Gl. 4.19) ou a declaração desconcertante: “Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna” (2Tm. 2.10)?
Como os apóstolos e os líderes do Novo Testamento venciam o pecado, ganhavam almas, se tornavam mais santos, alcançavam promessas e triunfavam nas batalhas espirituais? Ora, comarmas espirituais: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas” (2Co. 10.4)! Era com a oração, com jejuns, com vigílias de oração, com consagração e separação do mundo e não com “atos proféticos”!
Onde Jesus foi pego “dando voltas proféticas ao redor de Jerusalém”? Ele estava pregando a Palavra e morrendo vicariamente em Jerusalém!
O que dizer com relação à celebração de festas judaicas? Talvez o mesmo que Deus disse a Amós e Isaías (Am. 5.21, Is. 1.14).
Uma vez mais, insiste-se que tais “festas” e “celebrações” nada têm a ver com a Igreja e o cristianismo bíblico. Eram ordenanças do Antigo Testamento, dirigidas somente aos judeus! Entretanto, popularizou-se a feitura dessas “festas judaicas” no meio da cristandade, como um meio de atrair a atenção das pessoas e entretê-las.
Responde-se que o objetivo da Igreja jamais foi de “entreter” pessoas, mas de ser um instrumento de salvação de almas para o Senhor Jesus Cristo (Mt. 28.19-20, Ef. 3.6-11). Além do que, em nada glorificam a Deus tais festas, vez que são celebradas para a satisfação da carne de quem as faz! Quais são as festas do cristão, então? 1Co. 5.8 responde: “Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade”. Ou seja, que os cristãos festejem a liberdade de estar em Cristo e serem novas criaturas com uma vida apartada do mundo e de suas práticas.
Nunca foram e nunca serão instruções para a Igreja do Novo Testamento a prática de “atos proféticos”, tampouco a realização de “festas judaicas”.
1.2.3 A GUARDA DO SÁBADO
Talvez um dos pontos doutrinários mais conhecidos da doutrina dos Adventistas do Sétimo Dia seja a guarda do sábado como o dia descanso, estabelecido desde a Lei do Antigo Testamento. Afirma-se que o sábado deve ser respeitado, pois os que o guardam são “os selados de Deus”; enquanto que os que guardam o domingo desonram a Deus, não cumprem seus mandamentos e aceitarão a “marca da besta” ou o selo do anticristo.
É importante salientar que a guarda do sábado não é, nem de longe, um requisito do Novo Testamento para os cristãos. Os judeus guardavam o sábado, não os cristãos. De todo o Decálogo (os Dez Mandamentos da Lei de Moisés), apenas o sábado não é repetido no Novo Testamento, conforme abaixo:
1. “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex. 20.3);
2. “Não farás para ti imagem de escultura” (Ex. 20.4);
3. “Não tomaras o nome do Senhor teu Deus em vão” (Ex. 20.7);
4. “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar” (Ex. 20.8);
5. “Honra a teu pai e a tua mãe” (Ex. 20.12);
6. “Não matarás” (Ex. 20.13);
7. “Não adulterarás” (Ex. 20.14);
8. “Não furtarás” (Ex. 20.15);
9. “Não dirás falso testemunho” (Ex. 20.16);
10. “Não cobiçarás” (Ex. 20.17).
1. “(…) vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, e a terra…” (At. 14.15);
2. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém” (Jo 5.21);
3. “(…) não jureis nem pelo Céu, nem pela terra” (Tg. 5.12);
4. (Não há repetição deste mandamento no Novo Testamento);
5. “Filhos, obedecei a vossos pais” (Ef. 6.1);
6. “Não matarás” (Rm. 13.9);
7. “Não adulterarás” (Rm. 13.9);
8. “Não furtarás” (Rm. 13.9);
9. “Não mintais uns aos outros” (Cl. 3.9);
10. “Não cobiçarás” (Rm. 13.9);
Jesus encarnou-se para cumprir toda a Lei (Mt. 5.17-18), mas curiosamente não cumpriu literalmente o sábado (Jo. 5.16-18), pois o descanso e o dia dedicado a Deus não deveria ser um mero ritual, mas um dia observado com temor e reverência (Mc. 2.27-28).
Os que desejarem guardar a Lei devem guardar toda a Lei (p.ex. o ciclo sabático – Lv. 23.1-3, 4-37, 25.1-7, 8-17) e não apenas uma porção da Lei como fazem as seitas com tendências judaizantes (Gl. 3.10).
O domingo passou a ser observado como dia do Senhor, devido ao fato de Jesus haver ressuscitado neste dia, como um ato de reverência a Ele e um dia destinado à adoração (At. 20.7, 1Co. 16.2, Ap. 1.10, Jo. 20.19-20).
1.2.4 USO DO VÉU
Há seitas cristãs, como a Congregação Cristã do Brasil, que defendem ferrenhamente o uso do véu por suas adeptas, condenando as mulheres cristãs que não o utilizam.
Primeiramente, não há sequer uma referência na Lei do Antigo Testamento acerca da obrigatoriedade do uso do véu pelas mulheres. Relata-se, por outro lado, que as mulheres santas e piedosas utilizavam o véu, como por exemplo, no encontro entre Rebeca e Isaque (Gn. 24.65).
A utilização de um véu sobre a face era um costume comum entre as mulheres orientais, prática esta observada até hoje em muitos países. O véu servia – e serve, em muitas culturas – como um símbolo de submissão ao marido, de honra e de castidade entre os povos que o adotam como parte integrante de seu costume social.
O véu, no contexto bíblico do judaísmo, era utilizado sobre toda a face, e não apenas sobre a cabeça, como ensina a Congregação Cristã do Brasil, que diz ser necessário à mulher a utilização de um “véu” sobre a cabeça no culto público ou na oração pessoal. Sendo que tal ordem contraria o ensinado na Bíblia, que mostra Moisés utilizando um verdadeiro véu sobre todo o rosto e não somente sobre a cabeça (2Co. 3.13).
Ainda, o véu dado às mulheres, no Novo Testamento, é o cabelo, conforme ensina o apóstolo Paulo em 1Co. 11.15. De maneira que o próprio Cristo foi o responsável por remover o véu que nos separava da presença de Deus, nos dando acesso à plenitude de Deus, sendo-nos assegurado a apresentação diante Dele com o “rosto descoberto”, ou seja, sem nenhum aparato material ou ritual, segundo 2Co. 3.7-18.
Assim, temos que a questão da utilização do véu é totalmente cultural, relacionada com os costumes de cada povo, e nesse caso em especial, aos povos orientais, não tendo nenhuma relação o uso do véu com o culto cristão coletivo ou particular a Deus.
1.2.5 CONCLUSÃO
Tudo que Jesus fez, Ele o fez e ensinou às claras (Jo. 18.20), sempre se pautando na simplicidade, tendo como alvo, não a obediência e conformação externa do homem a um ritual, mas à transformação interna do caráter caído do homem em um novo caráter (Jo. 3).
O apóstolo Paulo expressou seu temor que os cristãos fossem enganados, pela sedução diabólica, a deixarem a “simplicidade que há no Evangelho” (2Co. 11.3) e se entregassem a“outro evangelho” (Gl. 1.6).
Infelizmente, é exatamente isso que tem ocorrido com muitos cristãos, que estão sendo tragados por essa onda judaizante dentro do Corpo de Cristo, abandonando a verdadeira vida piedosa em Cristo, e seguindo doutrinas de demônios e homens réprobos quanto a fé (Rm. 1.18-32, 2Tm. 3.1-9, 4.3-4).
Que a Igreja de Cristo repita em coro contra essas “tendências judaizantes”, juntamente com o apóstolo Paulo: “Aos quais nem ainda por uma hora cedemos com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós” (Gl. 2.5)!